Por Dr. Willian Cassuriaga Aymone · Endocrinologista · CRM-SC 24336 · RQE 14824
Do tamanho de uma borboleta e instalada na frente do pescoço, a tireoide comanda mais coisas do que a maioria das pessoas imagina: batimentos do coração, temperatura do corpo, funcionamento do intestino, energia, humor, ciclo menstrual e até a velocidade com que gastamos calorias. Quando ela desafina, a orquestra inteira sente. E, por ser silenciosa, muita gente convive por meses com sintomas sem desconfiar de que a causa está ali.
Como a tireoide funciona
A tireoide produz dois hormônios, o T4 e o T3, que dizem ao corpo em que ritmo trabalhar. Quem regula essa produção é a hipófise, uma glândula no cérebro, que envia o TSH. Se a tireoide produz pouco, o TSH sobe para estimulá-la. Se produz demais, o TSH cai. Por isso o exame de TSH é o principal ponto de partida para avaliar a tireoide.
Hipotireoidismo: quando o ritmo fica lento
É a falta de hormônio tireoidiano. Nas regiões em que o consumo de iodo é adequado, como no Brasil, a causa mais comum é a tireoidite de Hashimoto, uma doença autoimune em que o sistema de defesa passa a atacar a própria glândula.
Sintomas de hipotireoidismo
Os sinais costumam aparecer devagar: cansaço, sonolência, pele seca, queda de cabelo, sensação de frio, intestino preso, desânimo, menstruação irregular e colesterol elevado. O ganho de peso pode existir, mas em geral é modesto. O hipotireoidismo isolado raramente explica um ganho grande, então vale investigar outras causas.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico é feito com exames de sangue (TSH e T4 livre, e muitas vezes os anticorpos). O tratamento é a reposição do hormônio com levotiroxina, tomada em jejum, com água, de 30 a 60 minutos antes do café da manhã e afastada de cálcio e ferro. A dose é ajustada com controle periódico do TSH [1].
Hipertireoidismo: quando o ritmo dispara
É o excesso de hormônio. A causa mais frequente é a doença de Graves, também autoimune, mas nódulos que produzem hormônio em excesso e certas inflamações da glândula também podem provocá-lo.
Sintomas de hipertireoidismo
Quem tem hipertireoidismo costuma sentir coração acelerado, tremor nas mãos, ansiedade, insônia, suor excessivo, intolerância ao calor, diarreia, fraqueza e perda de peso mesmo comendo bem. Na doença de Graves, os olhos podem ficar mais salientes. Sem tratamento, o excesso de hormônio pode causar arritmias e enfraquecer os ossos.
Tratamento
O tratamento depende da causa e da situação de cada pessoa: medicamentos que reduzem a produção hormonal, iodo radioativo ou cirurgia, além de remédios para controlar os sintomas enquanto a tireoide é regularizada [2].
Nódulos na tireoide: quase sempre benignos, mas merecem investigação
O nódulo é uma “bolinha” dentro da tireoide. É muito comum, principalmente em mulheres e com o avançar da idade, e muitas vezes é descoberto por acaso, em um ultrassom feito por outro motivo. A maioria é benigna. Ainda assim, uma parcela pequena, na faixa de 7% a 15% segundo a diretriz da American Thyroid Association, pode ser maligna [3].
Como o nódulo é avaliado
A avaliação começa com o TSH e um ultrassom, que classifica o nódulo pelo risco (tamanho, formato, textura, bordas e outros sinais). Com base nisso, decide-se entre apenas acompanhar ou fazer uma punção com agulha fina para analisar as células. Nódulos pequenos e de baixo risco geralmente só precisam de acompanhamento periódico. Quando o TSH está baixo, uma cintilografia pode mostrar se o nódulo está produzindo hormônio em excesso [3].
E o câncer de tireoide?
A maior parte dos cânceres de tireoide é do tipo diferenciado, que costuma ter tratamento eficaz e bom prognóstico quando diagnosticado e conduzido adequadamente [4].
Quando procurar um endocrinologista
Vale marcar uma avaliação se você tem cansaço persistente sem explicação, alterações de peso, palpitações, queda de cabelo, mudanças no humor ou no ciclo menstrual, história de doença da tireoide na família, ou se notou um caroço no pescoço, rouquidão persistente ou dificuldade para engolir. Mulheres que planejam engravidar ou estão grávidas também merecem atenção especial, porque a tireoide tem papel importante na gestação [5].
Meu atendimento é particular, presencial em Tubarão e por telemedicina, e cada plano de cuidado é feito sob medida.
Referências
- Jonklaas J, Bianco AC, Bauer AJ, et al. Guidelines for the treatment of hypothyroidism: prepared by the American Thyroid Association Task Force on Thyroid Hormone Replacement. Thyroid. 2014;24(12):1670-1751.
- Ross DS, Burch HB, Cooper DS, et al. 2016 American Thyroid Association guidelines for diagnosis and management of hyperthyroidism and other causes of thyrotoxicosis. Thyroid. 2016;26(10):1343-1421.
- Haugen BR, Alexander EK, Bible KC, et al. 2015 American Thyroid Association management guidelines for adult patients with thyroid nodules and differentiated thyroid cancer. Thyroid. 2016;26(1):1-133.
- Ringel MD, Sosa JA, et al. 2025 American Thyroid Association management guidelines for adult patients with differentiated thyroid cancer. Thyroid. 2025:841-985. doi:10.1177/10507256251363120.
- Korevaar TIM, Leung AM, Alexander EK, et al. American Thyroid Association 2026 guidelines for thyroid disease in preconception, pregnancy, and postpartum. Thyroid. 2026;36(5):481-544. doi:10.1177/10507256261445624.
Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica. Escrito e revisado por Dr. Willian Cassuriaga Aymone, endocrinologista, CRM-SC 24336, RQE 14824.




